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Posts Tagged ‘Vida’

Mergulho em si mesmo

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Ontem, fui a um workshop cujo o assunto principal era cinema. A questão da imagem, da fotografia, do ângulo da câmera… enfim, tudo que um amador da sétima arte necessita saber, seja pela pretensão de ser um cineasta, seja pelo simples fato de querer aprender, foi dito. Eu me enquandro no simples fato de querer aprender. Sinto-me fascinada por esse verbo, e, principalmente, pelas manifestações artísticas. Embora eu sempre tenha gostado de cinema, apenas há algum tempo eu venho sentindo a necessidade de mais – e exigindo -de mim- mais. Por isso, tenho buscado interar-me melhor sobre o assunto.

Bom, ontem foi o primeiro evento que participei e, confesso a vocês, senti-me como se estivesse na sala de casa. Tudo bem que o fato de o orientador ser namorado da minha amiga Flávia ajudou um pouco, mas a sensação estava bem além disso. O principal fato foi sentir na pele a paixão pelo cinema, que exalava de todas as pessoas que se encontravam entre aquelas quato paredes. O desejo de discutir a carência de filmes que valham a pena, não pelo fato de receberem o mero rótulo de bom ou não comercial, mas por remeter ao leitor alguma reflexão, era comum em todos.

Foi aí que o sociólogo Luciano Alvarenga entrou na história. Ele se uniu ao Hunfrey para esmiuçar a arte de fazer cinema, e todos juntos tentamos entender os benefícios e melefícios que esse manifestação causa à nós; ao mundo. Confesso que quando o Luciano discorreu sobre a necessidade que há, não apenas do povo brasileiro, mas o do mundo todo, de um cinema que nos jogue na direção vertical, rumo ao encontro de nós mesmos, resumindo com minhas palavras, não é exagero que me arrepiei. Acredito que a função de toda manifestação artística deveria ser esta: nos levar à reflaxão de quem somos e temos sido, repetindo as palavras que dirigi ao sociólogo. Diante de uma fala que esclarecesse tão bem tudo o que sempre pensei sobre o cinema, não hesitei…, cá estou. Foi um bate-papo que deixou a minha cabeça fervendo. E eu adoro isso!

É bem verdade que o assunto dá pano para bem mais de uma manga, e infelizmente o tempo era contado. Fui triste, embora, porque sentia que ainda havia muito para se discutir. Espero que se tornem freqüentes eventos, que mais parecem reuniões entre amigos, como esses.

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À Flor do céu

Ó, Flor, tão linda, do céu!
Ó, Flor cândida e pura!
Acalenta esta pobre criatura
Que se abriga agora em seu véu.

Afaga essas mãos que, no papel,
Assemelham-se às que agarram o pincel.
E que sangram amor e ternura…
Pelo canto que minh’alma se cura.

Jorra em mim vosso brilho, mia Lindeza!
Espante este broto de medo, Fortaleza.
Põe-me, peço, alegre ou infeliz a cantar.

Vossa paz é o que preciso. É a certeza
De nada ser, nada saber. É a grandeza
De uma canção no infinito de amar.

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Do céu

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Do céu, o pássaro raro pousou.... e do céu, nada falou, só observou.

Se canto
Não é porque preciso de encanto
Tampouco de encantar
Preciso apenas de um canto
Pra que eu possa
Cantar

[Jhenifer Lira]

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Vendaval

E como um redemoinho sem controle, tudo girou
Tudo saiu do lugar para voltar ao primeiro.
A dor foi em saber.
Saber do coração.
Saber que mesmo depois, tudo volta ao mesmo lugar.

Aqueles que, de tão jovens, seguem, seguem, seguem os traços da tempestade.
Não entendem, seguem e sentem dor.
Sem saber por onde.
Sem conseguirem segurar.
Transbordam.

O vento soprou e tudo sumiu.
Toda energia.
Todos.
Mas o vento ainda bate.
E, por minutos de mar, ele me segura.
Me abraça.
A dor afaga.
Minha asas se esticam e vejo o horizonte a luzir.

Agora tudo virou espaço.
O gosto mudou.
A cor.
E todo um universo renasce.
Como eu.

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Cena aberta

Sombras do símbolo da paz
Projetadas no ardente chão
Que escorre suor em cada vão…
Mais uma miragem que se desfaz

Ao correr ao lado do rapaz
Que só, labuta sem direção.
E abre-se a frente um coração
Como fosse estréia em cartaz,

E aos nós as ligas da razão
Agitam-se numa briga audaz.
Mas diante da rubra imensidão

Desligam-se do ‘mal’ tão fugaz
E indagam essa infinita vastidão
De amor, de alegria e de paz
[?]

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Surto

Sentada na cama sobre as pernas cruzadas que já apresentavam indícios de dormência pelo excessivo tempo naquela mesma posição, lia pela sengunda, talvez terceira, aquele mesmo livro. E a cada leitura, a impressão que a dominava, era de que um penhasco abria-se diante de seus pés, e então contemplava a descoberta daquele novo mundo.

‘A sensação das mãos molhadas, incapazes de reter a água. Era a mesma que sentia quando as palavras iam surgindo de dentro, formando as frases que tinham cadência e refletiam apenas o balanço do pensamento que divagava, como se andasse pelo corpo todo e apanhasse, em cada ponto, o ritmo próprio que a animava.’

Era isso.

Sorvera outra taça de vinho. Daquele modo. Naquela sucessividade, acabaria por embriagar-se, mas o sabor amargo daquele sumo de uvas, agradava-lhe tanto. Gostava de empoça-lo na boca, a fim de saborear ao máximo aquela colheita. Imaginava que mergulhar nas profundezas daquele abismo poderia ser intenso como era o torpe que aquele lento virar proporcionava-lhe. E fitava ora o nada ora o teto enquanto deliciava-se com aquele efervecer de sensações causados também pelo tinto. No momento daquele segregar, apetecia-lhe laçar todas as miragens que insistiam em seduzi-la para o mergulho naquele precipício. Não devia ser de todo ruim, porém sabia que poderia não mais retornar das cinzas da delícia e do prazer que é o lar do ‘faz-de-conta’. Perguntava-se, com rugas na testa, por que não cumprir as ordens do desejo, e assim trouxe o passado a eternizá-lo. E num ímpeto deslizar, imergia tão além, que nem pôde regressar. E sorriu.

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Despertador

Embebida pelo sono
Deito
E não durmo.

E tudo fica ainda mais estranho
Que estar com sono
E não adormecer.

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