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Posts Tagged ‘Literatura’

Eis que o brilhante escritor da língua portuguesa (a brasileira ), talvez o maior de toda a literatura de sua origem, submeteu-se a criticar a obra O primo Basílio, do português Eça de Queiroz. Findar a leitura dessas observações coerentes em demasia que, embora pareçam-me bastante óbvias, passam, uma a uma, desapercebidas, é como sentir o elixir preencher minhas veias. Acredito que talvez seja o véu espesso que cai sobre o olhar de uma sociedade puramente realista que dificulta essa visão – talvez calhe mais a pretensão de sê-la.

Apesar de concordar com praticamente tudo (para não dizer tudo e assim sofrer com o peso de minhas próprias palavras) que ressalvou Assis, em sua ponderada crítica, tenho algumas salientações a fazer, que talvez possam ter impulsionado-o a fazê-la. Por favor, peço encarecidamente que você, leitor, não leve a mal a possibilidade que sucederá. Tampouco imagine que renego a grandiosidade que, indiscutivelmente, abraçou a escrita machadiana. O humor ácido e irônico e, principalmente, a perspicácia de Machado são inegáveis. Ele, sem dúvidas, foi um homem que dominou muito bem a linguagem.

Talvez as hipóteses levantadas a seguir atribuam ainda mais merecimento ao escritor – apesar de desnecessárias -, por carregar nos ombros o fardo e a delícia de estar entre os únicos, se não for próprio, maiores escritores de pele negra do ocidente. O que fez dele o brasileiro mais lido e mais estudado de todos os tempos. Elas só viriam a confirmar como fez bom uso de suas faculdades intelectuais.

Bem, deixe-me andar ao ponto sem mais rodeios. Em suma, acredito na sua razão, Machado de Assis. Há pontos claríssimos que apontam e confirmam a ineficiência de Queiroz, não com as palavras, mas com o que as precede: o pensamento lógico. O que deve estar, num escritor, aliado à criatividade e à sagacidade para tornar-se possível uma construção textual no mínimo inteligente. Tudo regado pela sensibilidade do humano demasiado humano.

Caso tenha, o escritor, a felicidade de unir esses requisitos, os quais creio ser básicos para uma escrita, concretizar-se-á a narrativa interessante, envolvente, delicada e, principalmente, inteligente. Com as sutilezas que muitas vezes nos escapam, quando transcrevemos nossos pensamentos – o que a deixará ainda melhor. Você que o diga! Acontece que cogitei a probabilidade de existir motivos que estão além de apenas adverter os deslizes de um realista, se não utópico, inexperiente com as meticulosidades da construção, principalmente, Realista. É óbvia a importância de escancarar o adultério feminino, como tentou Queiroz, porém necessitamos da apresentação dos motivos que levam uma mulher a tal desfecho. Motivos que remontam séculos de privações, insuficiências, desprezos, humilhações e tantos mais. E é a isso, acredito, que se apegou.

Chega até a ser ridículo afirmar, como parece fazer o livro d’O primo Basílio, que os motivos que levam uma mulher à traição são puramente impulsionados pelos desejos físicos – não que eles não existam -, já que até disso a sociedade machista e patriarcal privou a mulher, considerando todo o passado do papel feminino na história da humanidade. Ou mesmo que seja conseqüência da falta de ocupação e sentimento, como afirmou você neste seguinte trecho: “Que tem o leitor do livro com essas duas criaturas sem ocupação nem sentimentos?”

Porém, refleti sobre alguns pontos argumentativos de sua escrita, em especial este: “Pois que havia de fazer a maioria, senão admirar a fidelidade de um autor, que não esquece nada, e não oculta nada?”, e cheguei à conclusão provável de que você pode ter se empenhado tanto para essa crítica ao livro do escritor lusitano, que, inclusive, antecedeu em vinte e um anos a publicação do seu mais famoso romance realista Dom Casmurro, como meio sutil de exaltar a sua própria estrutura adúltera. Em um momento em que O primo Basílio havia causado uma repercussão gigantesca – sem méritos suficientes [?] –, era necessário que alguém abrisse os olhos dos leitores e da crítica em geral para as verdades reais.

Deixe-me desenvolver melhor este pensamento. Confesso que o trecho “esquece nada, e não oculta nada”, unido ao grande apelo moral que tanto faz, que mais foram relevantes para essas palavras, aparentemente, sem sentidos. Caro Assis, na sua narrativa, você implicitou tanto, que causou uma ambigüidade fenomenal, e impossibilitou a afirmação categórica da existência da traição feminina – algo que não foi a preocupação de Eça. No entanto, outras questões de sua construção dão margem para possíveis explorações que colocariam o livro ao mesmo nível do de Queiroz.

Um exemplo disso seriam os dois escritores que aparecem no seu livro: você próprio e Bentinho, já que a história escrita pelo primeiro, foi feita em primeira pessoa, ou seja, pelo próprio “traído”. Faz sentido o escritor/narrador Bentinho Santiago escrever um livro de modo que tentasse persuadir os leitores – por mais ingênuos que poderiam ser ao acreditar fielmente na infidelidade – da traição de sua esposa, após fazer de tudo para manter a aparência conjugal e ocultar a ‘certeza’ de homem traído, mandado-a morar na Suíça com o filho ‘bastardo’?

Se considerarmos alguns dos artifícios que se fez presente na construção de Dom Casmurro, segundo anotações feitas a partir da palestra do crítico Paulo Franchetti “Dom Casmurro: a fortuna crítica”, proferida na data de 17 de setembro de 2008, na XX Semana de Letras do IBILCE/São José do Rio Preto, teremos uma porção de questões a se pensar, relacionadas à congruência do livro.

“A que custo Bento Santiago pode ser descrito como simultaneamente um advogado esperto o suficiente para mover um processo aliciante contra a falecida esposa e um querelante tão inepto que semeia por toda parte sinais e argumentos contra sua própria tese? (…) Ao insistir na presença, no texto do romance de Machado, não estaria ele, assim descrito, próximo do Eça que ele mesmo criticou, quando tratou do romance do escritor português?”

Ao dizer, logo no início de sua crítica, o pecado que cometeu Eça de Queiroz ao revelar, por a mais b, todo o desenrolar dos fatos e, irônico, como muito bem sempre foi, ainda dizer que “a nova poética só chegará à perfeição no dia em que nos disser o número exato dos fios que se compõe um lenço de cambraia…”, parece-me pertinente que você esteja renegando a fama do medíocre livro, segundo nos faz entender, de modo a afirmar a grandiosidade de seu escrito, porém esquecendo-se dos seus próprios deslizes, ou, se preferir, das suas próprias ‘propositalidades’. E se assim for, quem nos garante que não foi intencional o escritor português retratar uma mulher de sentimentos fúteis e ociosa, recatadamente vulgar e promíscua?

Perceba que me deti, nesta crítica, não ao questionamento da habilidade de sua escrita – não estou à essa altura, embora tenha feito alguns lembretes -; tampouco na recusa de suas observações, mas sim ao fato de que você, valendo-se de sua notoriedade como escritor, talvez a usa como modo de diminuir, ainda mais, uma obra que já se apresentava diminuta por si só, embora não tenhamos como comprovar se a real intenção do escritor era ou não apresentar à sociedade portuguesa uma família de aparências, feita a de Bentinho, mas com a diferença que na lusitana há uma mulher por demais leviana.

A distinção pode estar na forma como abordou cada escritor o mesmo assunto e o ponto (que me parece distinto) que cada um quis ressaltar. E convenhamos: caso a empregada Juliana não furtasse as cartas ou não tivesse a malícia para perceber o que acontecia ao seu redor, provavelmente não haveria a continuidade da história, é verdade, entretanto, e se Bentinho não se metesse a provar que foi traído, haveria Dom Casmurro? A resposta seria não, está claro.

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Surto

Sentada na cama sobre as pernas cruzadas que já apresentavam indícios de dormência pelo excessivo tempo naquela mesma posição, lia pela sengunda, talvez terceira, aquele mesmo livro. E a cada leitura, a impressão que a dominava, era de que um penhasco abria-se diante de seus pés, e então contemplava a descoberta daquele novo mundo.

‘A sensação das mãos molhadas, incapazes de reter a água. Era a mesma que sentia quando as palavras iam surgindo de dentro, formando as frases que tinham cadência e refletiam apenas o balanço do pensamento que divagava, como se andasse pelo corpo todo e apanhasse, em cada ponto, o ritmo próprio que a animava.’

Era isso.

Sorvera outra taça de vinho. Daquele modo. Naquela sucessividade, acabaria por embriagar-se, mas o sabor amargo daquele sumo de uvas, agradava-lhe tanto. Gostava de empoça-lo na boca, a fim de saborear ao máximo aquela colheita. Imaginava que mergulhar nas profundezas daquele abismo poderia ser intenso como era o torpe que aquele lento virar proporcionava-lhe. E fitava ora o nada ora o teto enquanto deliciava-se com aquele efervecer de sensações causados também pelo tinto. No momento daquele segregar, apetecia-lhe laçar todas as miragens que insistiam em seduzi-la para o mergulho naquele precipício. Não devia ser de todo ruim, porém sabia que poderia não mais retornar das cinzas da delícia e do prazer que é o lar do ‘faz-de-conta’. Perguntava-se, com rugas na testa, por que não cumprir as ordens do desejo, e assim trouxe o passado a eternizá-lo. E num ímpeto deslizar, imergia tão além, que nem pôde regressar. E sorriu.

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Ontem assisti ao filme que, confesso a vocês, esperava muito ansiosa já há algum tempo. Sim, também porque foi baseado no livro de um escritor que eu gosto muito. A curiosidade de saber como a linguagem cinematográfica reproduziria as sutililezas da idéia que o livro aborda, era bastante grande. A consciência das diferenças, visto que linguagens distintas têm meios diversos de suscitar percepções no leitor, impedia-me de grandes expectativas de comparações com o livro. Eu até acredito que é extremamente possível assistir a um filme como esse, ou qualquer outro baseado em um livro, sem a leitura do mesmo – não que não seja interessante. Na verdade é provável que muitos acreditem nessa possibilidade, porém a grande maioria acredita que ler o livro é a principal exigência. E acreditem: não é! Também não pense, caro leitor, que assistir a filme, substitua a leitura de uma obra literário. Isso nunca! Ambos são de extrema importância para ajudar na construção de um olhar desautomatizador e crítico. Porém, as pessoas querem ter uma imagem já formada na cabeça, para daí apenas ver se o filme confere ou não com o seu ‘achar’.

Bem, o fato é que fiel ao livro ou não, este é um filme que eu recomendo a todos. De uma densidade bastante grande, é verdade. Houve cenas em que fiquei tão apreensiva, que a vontade que eu tinha era de levantar da poltrona e sair correndo. Cenas fortes, angustiantes; é possível que a gente sinta na pele a aflição daquela cegueira branca que atingiu quase todos no filme. Exatamente!, uma cegueira branca e luminosa que embaça por completo o ver das pessoas. Eis a primeira grande sacada de Saramago, mantida de uma bela forma por Meirelles. Depois de assistir ao filme, fiquei entorpecida pelo pensamento contraditório das cores preto e branco. A primeira é a ausência de todas as cores – a cegueira comum; a segunda é a união de todas elas. Seria capaz de, o excesso de ‘cor’, cegar?

A fotografia também foi algo bastante instigante. Teve uma imagem que ainda está muito fresca na minha memória: uma mão com um fundo branco de um intenso brilho. Foram lindas, também, a imagem do café fervendo na cafeteira, e depois sendo, borbulhante, arremessado na chícara. Essas cenas, dentro do contexto do filme, enriqueceram de uma forma intensa, eu diria, o que acontecia naquele momento; eu gostei muito. Repetindo, o Meirelles foi formidável ao representar aquela luminosidade que descreveram os personagens, e que, segundo um deles, parecia um “nadar no leite”. A legenda, em alguns mometos, é preta por conta do branco brilho que toma conta da tela. E que nos diz tanto.

Acho muito importante que vejamos o filme tentando não nos agarrar apenas no que nos mostram as imagens. Talvez esse seja o grande motivo de muitos não terem conseguido levar adiante aquele contemplar. Talvez o mais importante seja a capacidade, do leitor, de captar aquilo que não nos foi mostrado – assim como ler o que está entre as linhas de um livro. Somente assim é possível sentir a esféra poética do filme, e perceber a grandiosidade das pequenas coisas; principalmente as representadas pelas atitudes da única que permaneceu com visão.

É esse apego ao palpável; ao material, talvez, que levou a humanidade àquela cegueira em massa; a essa automatização, parece-me, eterna. Uma cegueira a ponto de permitir a dominação de cegos por outros cegos. Meu namorado fez uma ligação, a partir dessa observação que fiz, com a pintura que ilustra o post, que foi por demais interessante. Como podem ver, há, nessa pintura, um cego puxando outros numa fila indiana. Não a conhecia. O mais curioso é que o filme mostra, de um lado, vários cegos sendo ‘puxados’ por um outro – que se proclama rei -, e de outro outros tantos sendo direcionados pela única visão.

É muito curioso também, a meu ver, fazer uma associação dessa cegueira, com a já antes proclamada pelos cristãos e a pintura acima. Talvez exista de fato uma intertextualidade entre o Bruegel e a fábula católica, mas a minha ignorância não permite que eu afirme com plena certeza. Lembro-me, vagamente, da época em que eu cheguei a frenqüentar a igreja; eles diziam que a principal dádiva do ser humano é enxergar com o coração – uma fala, que orna a falácia cristã, até bonita, e que hoje parece ão existir. A parábola a que me referi, está no Evangelho de Matheus, com as seguintes palavras: “Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco.” [Gostaria de saber sobre os pormenores para poder desenvolver melhor essa associação.[E que fique claro: isso não é uma apologia aos cristãos; apenas uma possibilidade de leitura]].

Talvez o grande X foi como essa cegueira cegou ainda mais alguns; e como fez com que outros começassem a enxergar de verdade; a sentir a vida de uma outra maneira. Ver com outros olhos – com o terceiro, talvez, como disse Hermeto Pascoal, no documentário “A janela da alma” que, inclusive, o próprio Saramago participa. A cegueira, vista por um outro ângulo, aproxima as pessoas. Faz com que elas se toquem; com que sintam o calor umas das outras, ou o frescor da brisa, e desse modo desperta algo comum dormente nos seres humanos: o sentimento pelo impalpável; pelo invisível a olho nu. E desse modo ela devolve o brilho que a vida deveria nunca perder.

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Em 13 de junho de 1.888, nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa, personalidade futura de extrema importância, não apenas para a Literatura Portuguesa, mas para o panorama da Literatura mundial. Seu brilhantismo deve-se, certamente, pela magnífica forma que encontrou de exteriorizar suas sensações interiores dando início à criação ortônica e heterônima, forma esta que resulta em personalidades plurais por meio de uma personalidade singular que é Fernando Pessoa.

Ao criar seus heterônimos, Pessoa atribui a eles biografias específicas que justificam a personalidade de cada um, o que possibilita, durante a leitura, uma visibilidade mais clara de seus outros eus.

“Como o panteísta se sente árvore e até a flor eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de não eus intelectualizados num eu postiço”.

Designado por muitos como o poeta dos vários eus, a criação dos heterônimos seria pela necessidade de captar os vários modos de percepção da realidade. Eis que em 15 de outubro de 1.890, na cidade de Tavira, situada no extremo sul de Portugal, nasce o último de seus heterônimos, Álvaro de Campos, quem, segundo o próprio Pessoa, é caracterizado como o poeta “histéricamente histérico”.

A maneira como Fernando Pessoa conseguiu dar vasão aos seus diferentes eus, já que afirma sentir viver vidas alheias nele próprio, como se participasse da existência de toda a humanidade, de acordo com as diversas realidades, e especialmente a aliança que fez ele entre o mundo moderno e a maneira de enxergar esse mundo moderno faz de Álvaro de Campos uma personalidade singular.

Formado em engenharia naval por uma universidade da Escócia, Álvaro de Campos vive em Lisboa em inatividade devido não à falta de trabalho, mas por razões muito mais complexas. Extremamente influenciado pelas vanguardas futuristas e pelos momentos históricos e sociais da época, Campos canta a modernidade, a era tecnológica, mas não deixa de apresentar sua preocupação com a existência humana diante da crescente modernização pela qual passava o mundo e que dava origem, muitas vezes, a personalidades insensíveis e cruéis. Essa é uma das características primordiais de Campos que faz com que sua poética seja transcendental dando imortalidade à obra do poeta sensacionista.

Nascido no auge da era da Revolução Industrial, Campos tem uma forte influência de Marinetti, poeta italiano que introduziu o futurismo, e também do poeta americano Walter Whitman, também com tendências futuristas.

“A literatura é linguagem elevada ao grau máximo de significação”, segundo o teórico Ezra Pound – é uma manifestação artística que tem a intenção de despertar o olhar consciente de seus leitores; não apenas para a sua realidade própria, mas também para a realidade que envolve toda a humanidade. A arte é o único meio capaz de realizar a desautomatização necessária e atribuir ao sujeito uma maneira diferente e útil de sentir. Uma espécie de revolução interior que tem a necessidade de revelar-se.

A poesia lírica, um dos gêneros literários, de acordo com Octávio Paz, tem esse poder duplicado, pois consegue, por meio da linguagem, dizer o que ela própria seria incapaz de dizer: o indizível. Pelo trabalho extremamente elaborado do poeta, o poema, que em sua completude, forma uma imagem cuja qual chamamos de poética, é capaz de recriar e reconstruir idéias e assim atingir o inatingível.

Como afirma Chklovski em sua “A Arte como Procedimento”, podemos definir esse procedimento como “A arte é pensar por imagens” ou mesmo “Sem imagens, não há arte”, teoria essa que defende a explicação do desconhecido pelo conhecido, ou seja, a visualização de uma imagem nos remeterá a uma certa “compreensão” de algo. Ou também, podemos defini-lo como “artes líricas que se dirigem imediatamente às emoções”.

Sem desconsiderar os dois tipos de procedimentos citados acima, Chklovski chega a um resultado, digamos, mais completo, já que os outros apresentam falhas por definições tão genéricas, e então define que “A arte é antes de tudo criadora de símbolos”, ou relembrando que os símbolos utilizados pela arte já foram criados ao longo do percurso da existência humana, são por ela – a arte – (re)criados.

Dono de uma sensibilidade indiscutível e um olhar conscientemente crítico, o poeta-engenheiro dá prioridade à temática crítica sobre a modernidade e suas conseqüências. Campos não se encontra no mundo apenas fisicamente, ele é membro ativo, se não por meio de atos, por meio de pensamentos e reflexões em relação às diversas experiências que o rodeiam, e com isso levanta inúmeros questionamentos sobre a condição humana e sobre o rumo desta humanidade.

A frase que melhor o define é: “Sentir tudo de todas as maneiras”

Uma das principais referências a Campos é a sensação. Totalmente voltado à compreensão do mundo moderno, com uma maneira sensível e nobre de encarar a realidade que o envolve dando à sensação um valor absolutamente real.

A construção poética de Campos, feita de maneira intencional, pretende despertar visões que vão além da habitual. Atribui a atos e formas, que para a maioria são percebidos como prosaicos, isto é, sem a importância devida que conseqüentemente passam por despecebidos, percepções poéticas por meio de sensações e raciocínios particulares. O eu poético dá a oportunidade ao leitor de aproximá-lo à obra, levando-o à reflexão do que ele é e tem sido.

“A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.”

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