Quem a visse naquele momento, imaginaria que fosse o lindo rubor do Sol refletido, unido àquele requiem no vinil, que lhe entorpecia a face, e que, nitidamente, transportava-a para uma desconhecida dimensão. Digo desconhecida, para não ser ousado e intrometido, e desmascarar, sem sentido, todas as causas daquele estático movimento. E continuava vaga de tudo. Cheia do mudo Mundo.
O fato é que aquele torpor ia muito além das sensações puramente externas. Sim, os pedaços unidos formando traços desunidos, mexia com a sua fantasia – estímulo externo é sempre inevitável. E dizia para si mesma: “sois sóis”. Vez e outra, olhava escondida para si mesma. E baforava no espelho tingido, apenas para vê-lo embaçado, e vendo-o, pensava que assim devia estar sua mente naquele dia quente.
E lembrava-se da despedida. Daquela que ainda estava por vir. E com a testa franzida, rangia os dentes, irritada, só por saber que tudo e o todo não era seu. E nem meu. De ninguém. Fora sempre deveras prática. Muito prática. Circunstância nenhuma a deixava sem ação. Entretanto aquela daquele derradeiro instante. Aquele que nem chegara.
Então lembrava-se daquele fino homem. Daquele olhar cabisbaixo e, aparentemente, desatento. Porém, que em ligeiros movimentos, parecia vomitar, pelo silêncio de seu olhar, alma e coração. Daquela mania feia, mas que tanto lhe atraia, de roer o canto das unhas. Ai, aquele olhar parecia adentrá-la. E aquelas palavras sutis, que a atingiam mais forte que qualquer sedução; aquela inteligência nobre, que somente a vida vivida proporciona…
Não se importava com os 25 anos de diferença.
Texto: Gauche


Ah mulher, eu pensava que era só vc quem me conhecia intimamente, mas depois deste texto, sei que tb te conheço…ah, sim..
Já sabia do que falavas antes da dica do final…
És tão misteriosa para o mundo, e tão clara para mim. Acho que viemos do mesmo planeta.
Abraços astrais!
Pois é, Nath, eu me entreguei rs.
Beijos, amore mio!