Num súbito movimento esfregou os olhos de cristal, que repletos de sal, ardiam feito brasa acesa no quintal. O dedo já tremia daqueles tantos movimentos. A perna esquerda comprimia todos aqueles compartimentos. Há tempos que não era daquele jeito. E lembrou-se de quando debruçada no parapeito da janela, imaginava feliz, com as grades no nariz, um sonho perfeito. Eram tantas sentimentalidades; tanta inocência. A naturalidade da inconsciência na puberdade.
Embalada em leves melodias, contava, enquanto cantava, as estrelas, com alegria. Escrevia poemas a revelia. Sem pluma nem papel. Era sempre ao léu. Na cantoneira, havia sempre uma luneta, e por fim, brincava, no céu, de jardim. A Lua, dessa vez, era jasmim. E sentia o frescor da brisa invadir seu quarto sem pedir licença. E adorava aquela intrometida presença.
Aproveitava o momento com ela, e tirava, antes da soneca, a sonata pra dançar. E abraçadas, davam imensas braçadas, e sentiam a vento escorrer por entre os dedos das mãos. Era um louco deslizar. Um delicioso bailar. E suada, secava-se no chão. Deitava, se esticava, e brincava mais um pouco, sem direção.
[Toc, toc, toc -abriram a porta-
_Oi?
_Ainda acordada?
_Sim.
_Vá dormir! Já passa das 2h. Amanhã é dia de branco.]
Confirmou o horário. A mãe estava certa. Desligara-se do mundo virtual e real por loooooongos minutos. Havia tempo, também, que não se permitia tal companhia. E teimosa, sua consciência lhe perguntava se aquilo que vivera na adolescência era mesmo inconsciência. Não soube responder. Talvez fingisse não saber. Era menos doloroso. E muito mais fácil, afinal, tudo a sua volta era irreal, e insistiam, desde pequena, em fazerem-na acreditar na existência de uma verdadeira [i]moral.


Uma delícia!
Continuo sendo suspeita pra falar…rsrsrs
beijo
Até que enfim apareceu por aqui, hein! Ai, ai, ai! eu adoro saber que você é suspeita. E pode dizer sim! tudo que achar, sentir… só assim nossas palavras terão sentido.
Te adoro, moça!